domingo, 14 de outubro de 2012

Noite

Encontraram-no caído
Ao fundo daquela rua;
Chamaram-no pelo nome, era eu!
- O poeta andava à lua
E adormeceu...

Foi o que disse e jurou

Pela sua salvação
A perdida
Que viu tudo da janela...

E o guarda soube por Ela,

Pelo pranto que chorava,
Quem era na minha vida
O guarda que me guardava...

- Andar à lua é proibido...

Mas Ela pagou a lei
Por um beijo que lhe dei
Antes ou depois de ter caído,
Nem eu sei...



Poema de Miguel Torga
Fotografia de Henri Senders
 

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