sábado, 20 de outubro de 2012

A castidade com que abria as coxas


A castidade com que abria as coxas
e reluzia a sua flora brava.
Na mansuetude das ovelhas mochas,
e tão estrita, como se alargava.

Ah, coito, coito, morte de tão vida,

sepultura na grama, sem dizeres.
Em minha ardente substância esvaída,
eu não era ninguém e era mil seres

em mim ressuscitados. Era Adão,

primeiro gesto nu ante a primeira
negritude de corpo feminino.

Roupa e tempo jaziam pelo chão.

E nem restava mais o mundo, à beira
dessa moita orvalhada, nem destino.









Poema de Carlos Drummond de Andrade, in 'O Amor Natural'
F
otografia de Chapala Dmitry

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