"Amanhã, ou enquanto dormes – agora mesmo – vou pensar em ti.
Intensamente: até que as horas me doam sobre a pele, e o movimento dos
dias passe como aves que perdem o sentido do voo – até que tudo o que me
rodeia tome a forma do teu corpo.
E em mim circules – quando estendo a mão por dentro da noite e te acordo, no fogo dos meus olhos."
Palavras de Al Berto em "Dispersos" Fotografia de Walo Thoenen
"Eu penso em ti, ainda mais do que te digo, e tu estás em tudo, mesmo
quando não te penso, tu és a grande razão, o horizonte sem nome que
constantemente se desenha na minha imaginação de mim."
Palavras de António Mega
Ferreira Fotografia de Alt Edward
Recebi o teu bilhete para ir ter ao jardim a tua caixa de segredos queres abri-la para mim e tu nao vais fraquejar ninguém vai saber de nada juro nao me vou gabar a minha boca é sagrada Estar mesmo atrás de ti ver-te da minha carteira sei de cor o teu cabelo sei o shampoo a que cheira já não como, já não durmo e eu caia se te minto havera gente informada se é amor isto que sinto Quero o meu primeiro beijo não quero ficar impune e dizer-te cara a cara muito mais é o que nos une que aquilo que nos separa Promete lá outro encontro foi tão fogaz que nem deu para ver como era o fogo que a tua boca prometeu pensava que a tua língua sabia a flôr do jasmim sabe a chicla de mentol e eu gosto dela assim Quero o meu primeiro beijo não quero ficar impune e dizer-te cara a cara muito mais é o que nos une que aquilo que nos separa
Tema de Rui Veloso no projecto Cabeças no Ar Video gravado ao vivo na Gala 11 da Operação Triunfo 1
Deixas rasto no meu peito durante horas. Dou com cabelos teus colados, dias depois, à roupa do meu sorriso. Encontro nos vincos mais longínquos dos meus dedos o cheiro parado do teu olhar tão móvel. Procuro-te nas esquinas dos instantes que passam. Reconheço-te no vinco que a ternura deixa na carne do peito do meu olhar, aquele que deito para longe, para outra esquina, de onde recebo mensagens de outro olhar igualmente teu, igualmente meu, reflectido na montra de uma loja do nosso sono.
Palavras de Manuel Cintra Fotografia de Andrey Stanko
Lo que me gusta de tu cuerpo es el sexo. Lo que me gusta de tu sexo es la boca. Lo que me gusta de tu boca es la lengua. Lo que me gusta de tu lengua es la palabra.
Poema de Julio Cortázar Fotografia de Julio Kirsanova
sempre que uma praia se levanta és sempre tu que me tocas e sempre tu quem aceita o sorriso é sempre o sol embrulhado em terra pura e sempre pura a voz que a terra canta
porque se ouvires a água na pedra a água que sempre nos meus lábios sabe a ti se ouvires a água na pedra tens a lua a manhã o cereal de espuma que não pára de crescer nos lábios teus que a água dos meus conhece como o sol procura o dia e sempre acha a noite
e é na noite que sempre te digo que sempre te juro as mãos enormes e levanto a praia que tu levantas quando sempre acordamos e na nossa nudez se esconde a noite em que lábios nos lábios criámos o mar
Poema de Vasco Gato em "Um Mover de Mão" editado pela Assírio & Alvim, Lisboa 2000 Fotografia de Oleg Galich
Uma corrosão de líquidos no copo do teu riso: como se a tua boca trouxesse as chuvas ácidas da noite; e as tuas frases queimassem a terra dos corpos. Bebo-te, no entanto; e ardes por dentro de mim. O teu amor espalha-se-me pelas veias, sobe até à cabeça, explode pelos olhos e pelos ouvidos com que te vejo e ouço. O halo das ocasiões envolve-nos. Até ao fim da noite, e pelo meio da vida.