domingo, 30 de setembro de 2012

Mar sonoro




Mar sonoro, mar sem fundo, mar sem fim,
A tua beleza aumenta quando estamos sós
E tão fundo intimamente a tua voz
Segue o mais secreto bailar do meu sonho,
Que momentos há em que eu suponho
Seres um milagre criado só para mim. 




Poema de Sophia de Mello Breyner Andresen
Fotografia de Janis Macs

sábado, 29 de setembro de 2012

As carícias do olhar

 
As carícias do olhar são as mais adoráveis
chegam ao fundo da alma, aos limites do Ser,
e libertam assim segredos inefáveis
de outro modo em silêncio, e sem ninguém saber.        

Os beijos puros são grosseiros junto a elas,
mais que qualquer palavra o seu falar é forte,
nada exprime melhor, no mundo, as coisas belas
que passam num momento, em efémera sorte.

Quando a idade envelhece a boca em seu sorrir
que as rugas vão marcando aos poucos de amargura,
intacta ainda mantém sua límpida ternura.

Feitas para inebriar, consolar, seduzir,
guardam toda a doçura, e os ardores e o encanto!
Que outra carícia em luz trespassa o nosso pranto?


Poema traduzido por JG de Araújo Jorge extraído do livro "Os mais belos sonetos que o amor inspirou" em Poesia Universal - Europeia e Americana - Vol III - 1ª Edição 1966
Fotografia de autor desconhecido



O original foi escrito em francês por Auguste Angellier (1984-1911) no seu livro "A l'amie perdu" de 1896


Les caresses des yeux
Les caresses des yeux sont les plus adorables ;
Elles apportent l'âme aux limites de l'être,
Et livrent des secrets autrement ineffables,
Dans lesquels seul le fond du coeur peut apparaître.

Les baisers les plus purs sont grossiers auprès d'elles ;
Leur langage est plus fort que toutes les paroles ;
Rien n'exprime que lui les choses immortelles
Qui passent par instants dans nos êtres frivoles.

Lorsque l'âge a vieilli la bouche et le sourire
Dont le pli lentement s'est comblé de tristesses,
Elles gardent encor leur limpide tendresse ;

Faites pour consoler, enivrer et séduire,
Elles ont les douceurs, les ardeurs et les charmes !
Et quelle autre caresse a traversé des larmes ?

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Burbujas de amor

Tengo un corazón,
Mutilado de esperanza y de razón-
Tengo un corazón
Que madruga adonde quiera
¡ayayayay!
Y ese corazón
Se desnuda de impaciencia ante tu voz.
Pobre corazón,
Que no atrapa su cordura

Coro:
Quisiera ser un pez
Para tocar mi nariz en tu pecera
Y hacer burbujas de amor
Por donde quiera
¡oh! pasar la noche en vela
Mojado en ti.
Un pez
Para bordar de corales tu cintura
Y hacer siluetas de amor
Bajo la luna
¡oh! saciar esta locura
Mojado en ti

(canta corazón
Con un ancla imprescindible de ilusión.
Sueña corazón
No te nubles de amargura
¡ayayayay!
Y este corazón
Se desnuda de impaciencia ante tu voz.
Pobre corazón
Que no atrapa su cordura
Quisiera ser un pez
Para tocar mi nariz
En tu pecera
Y hacer burbujas de amor
Por donde quiera
¡oh! pasar la noche en vela
Mojado en ti.

Un pez
Para bordar de cayenas tu cintura
Y hacer siluetas de amor
Bajo la luna
¡oh! saciar esta locura
Mojado en ti.
Una noche
Para hundirnos hasta el fin.
Cara a cara, beso a beso
Y vivir por siempre
Mojado en tí.
Quisiera ser un pez
Para tocar mi nariz
En tu pecera
Y hacer burbujas de amor
Por donde quiera
¡oh! pasar la noche en vela
Mojado en ti.

Un pez
Para bordar de cayenas tu cintura
Y hacer siluetas de amor
Bajo la luna
¡oh! saciar esta locura
Mojado en ti.
(para tocar mi nariz
En tu pecera
Y hacer burbujas de amor
Por donde quiera)
¡oh! pasar la noche en vela
Mojado en ti.
Un pez
(para bordar de cayenas tu cintura
Y hacer siluetas de amor
Bajo la luna)
¡oh! vaciar esta locura
Mojado en ti.



Canção de Juan Luis Guerra editada no album "Bachata Rosa" de 1991 de Juan Luis Guerra e os 4.40.
Video oficial

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Segredo

Não contes do meu
vestido
que tiro pela cabeça

nem que corro os
cortinados
para uma sombra mais espessa

Deixa que feche o
anel
em redor do teu pescoço
com as minhas longas
pernas
e a sombra do meu poço

Não contes do meu
novelo
nem da roca de fiar

nem o que faço
com eles
a fim de te ouvir gritar



Poema de Maria Teresa Horta em Poesia Completa
Fotografia de Aleksandra in photodom

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Déjame sueltas las manos


Déjame sueltas las manos
y el corazón, déjame libre!
Deja que mis dedos corran
por los caminos de tu cuerpo.
La pasión —sangre, fuego, besos—
me incendia a llamaradas trémulas.
Ay, tú no sabes lo que es esto!

Es la tempestad de mis sentidos

doblegando la selva sensible de mis nervios.
Es la carne que grita con sus ardientes lenguas!
Es el incendio!
Y estás aquí, mujer, como un madero intacto
ahora que vuela toda mi vida hecha cenizas
hacia tu cuerpo lleno, como la noche, de astros!

Déjame libre las manos

y el corazón, déjame libre!
Yo sólo te deseo, yo sólo te deseo!
No es amor, es deseo que se agosta y se extingue,
es precipitación de furias,
acercamiento de lo imposible,
pero estás tú,
estás para dármelo todo,
y a darme lo que tienes a la tierra viniste—
como yo para contenerte,
y desearte,
y recibirte!


Poema de Pablo Neruda
Fotografia de Semen Nikiforov


terça-feira, 25 de setembro de 2012

Por entre os sons da musica

 
Por entre os sons da música, ao ouvido
como a uma porta que ficou entreaberta
o que se me revela em ter sentido
é o que por essa música encoberta

acena em vão do outro lado dela
e eu sinto como a voz que respondesse
ao que em mim não chamou nem está nela,
porque é só o desejar que aí batesse. 


 

 
Poema de Vergílio Ferreira, em "Conta-Corrente 1"
Fotografia de autor desconhecido

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Apeteces-me

Apetece-me
tomar-te o gosto.
Descascar-te a pele
saborear-te a polpa
e guardar o caroço.

Deixas-me aguada.

Levo-te nas mãos
até à sombra de uma àrvore
para poder descobrir-te
na sombra fresca.

Levo-te à boca,
trinco-te a pele suave
bebo o teu sumo
fecho os olhos
para melhor sentir o teu sabor...




Poema visto no facebook por "O poeta é um fingidor"
Fotografia: "Flora" de Von Sel em photo.net.

 

domingo, 23 de setembro de 2012

I've got to see you again - Norah Jones

Lines on your face don't bother me
Down in my chair when you dance over me
I can't help myself
I've got to see you again
Late in the night when I'm all alone
And I look at the clock and I know you're not home
I can't help myself
I've got to see you again
I could almost go there
Just to watch you be seen
I could almost go there
Just to live in a dream
But no I won't go for any of those things
To not touch your skin is not why I sing
I can't help myself
I've got to see you again
I could almost go there
Just to watch you be seen
I could almost go there
Just to live in a dream
No I won't go to share you with them
But oh even though I know where you've been
I can't help myself
I've got to see you again





Tema editado no album "Come away with me" de Norah Jones em 2002.
Video gravado ao vivo no "Live in New Orleans" de 2002.

sábado, 22 de setembro de 2012

Pensar em ti

Pensar em ti é coisa delicada.
É um diluir de tinta espessa e farta
e o passá-la em finíssima aguada
com um pincel de marta.

Um pesar grãos de nada em mínima balança,
um armar de arames cauteloso e atento,
um proteger a chama contra o vento,
pentear cabelinhos de criança.

Um desembaraçar de linhas de costura,
um correr sobre lã que ninguém saiba e oiça,
um planar de gaivota como um lábio a sorrir.

Penso em ti com tamanha ternura
como se fosses vidro ou película de loiça
que apenas com o pensar te pudesses partir.


Poema de António Gedeão
Fotografia de autor desconhecido

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Ousadia



Neste pensamento
por onde me solto…
contigo em mim
a todo o instante
invento-te ainda…
e consumo
aos poucos
num insinuado ritual
o sorriso lavado e lindo
ousado e meigo
com que me premiaste um dia
E fico por aqui
assim
entontecido nesse embriagar!
Se um dia
num momento só
num só instante que seja
ousar possuir-te
rasgar
numa partilha
esta vontade de ti
querer-me-ei
aprisionado no teu ventre
Depois
se o pensamento…
soltar-me-ei na chama ainda acesa
desse encantamento!


Poema de João Luís Dias em "Um poema, uma flor", lido em jluisdias.blogs.sapo.pt
Fotografia de autor desconhecido

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Os teus olhos


Os teus olhos
Como eles riem
Quando fazes amor.

E no êxtase
Em que mergulhas
Nesse ritual indescritível
De prazer e sofreguidão,
Os teus olhos
Suspiram.

Gemem prazeres.

Nunca vi assim outros iguais
Que pedindo sempre mais e mais
Perturbam-se, enlouquecem.

Nesse mesmo instante,
O teu peito ofegante
Cai desamparado nos meus braços.




Poema de Cunha Simoes
Fotografia de autor desconhecido

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Travelin' on - Norah Jones


You could never be a face in the crowd

So you're travelin' on, travelin' on out
Well you know I'd never say it out loud
But I'll be travelin' on, travelin' with you

Hey I'm too weak it's too much to fight off

The past so strong
But now I don't think too much of the time
I'll just try to keep up

Ooh ooh...

I can't believe what's happening now
Ooh ooh...
I can't believe what's happening now

If you notice that I'm falling behind

I'm taking my time taking it all in
So call me when you get where you're going
I'll keep travelin' on, travelin' to you

Hey don't be too hard on yourself

I'll be okay
Cause we won't leave this place any worse
Than when we came

Ooh ooh...

I can't believe what's happening now
Ooh ooh...
I can't believe what's happening now
Ooh ooh...
I love the way it's happening now 




Eis uma interpretação ao vivo em Paris - 2012.



"Travelin' on", composto por Norah Jones e Brian Burton,  é o oitavo tema do album "Little broken hearts", quinto album de Norah Jones, editado em 2012.



terça-feira, 18 de setembro de 2012

Don´t Know Why - Norah Jones

I waited 'til I saw the sun
I don't know why I didn't come
I left you by the house of fun
I don't know why I didn't come
I don't know why I didn't come

When I saw the break of day
I wished that I could fly away
Instead of kneeling in the sand
Catching teardrops in my hand

My heart is drenched in wine
But you'll be on my mind
Forever

Out across the endless sea
I would die in ecstasy
But I'll be a bag of bones
Driving down the road alone

My heart is drenched in wine
But you'll be on my mind
Forever

Something has to make you run
I don't know why I didn't come
I feel as empty as a drum
I don't know why I didn't come
I don't know why I didn't come


"Don't know why" é uma canção escrita por Jesse Harris que surgiu inicialmente no seu album "Jesse Harris & the Ferdinandos" de 1999. Posteriormente foi gravada por Norah Jones no seu album de 2002 "Come away with me"

Aqui está o video original



E para quem não dispensa atuações ao vivo: Norah Jones em Amsterdam



segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Aqueles beijos



 Ah! Que beijos eram aqueles...
Sem pressa, demorados,
Ternos, apaixonados,
Inebriantes.

Beijos inesperados,

Quentes, molhados,
Cheios de intenções,
Desejos, paixões.

Beijos que marcavam,

Que pediam, imploravam,
Uma garantia, uma certeza,
Que nunca terminariam.

Mas, sem saber que era o último,

Nossos lábios repetiram o ritual.
Nos entregamos àquele momento
Com a esperança que durasse para sempre.

O derradeiro beijo foi assim,

Mais um instante paradisíaco.
Nada de despedidas tristes,
Sem lágrimas derramadas.

Ainda penso naqueles beijos

Beijos que me enfeitiçavam,
Entorpeciam meu corpo,
Embebiam-me de prazer.

Bons beijos aleatórios eram aqueles.
Anestesia para dias amargurados.
Deixavam o coração suplicante,
Viciado em beijos enamorados.



Poema de Elonir Gonçalves
Fotografia de autor desconhecido

domingo, 16 de setembro de 2012

O sorriso



Creio que foi o sorriso,
sorriso foi quem abriu a porta.
Era um sorriso com muita luz
lá dentro, apetecia
entrar nele, tirar a roupa, ficar
nu dentro daquele sorriso.
Correr, navegar, morrer dentro daquele sorriso.




Poema de Eugénio de Andrade
Fotografia de Surkov Studio