terça-feira, 31 de julho de 2012

Eis o centro do corpo

Eis o centro do corpo
o nosso centro
onde os dedos escorregam devagar
e logo tornam onde nesse
centro
os dedos esfregam - correm
e voltam sem cessar
e então são os meus
já os teus dedos
e são meus dedos
já a tua boca
que vai sorvendo os lábios
dessa boca
que manipulo - conduzo
pensando em tua boca
Ardência funda
planta em movimento
que trepa e fende fundidas
já no tempo
calando o grito nos pulmões da tarde
E todo o corpo
é esse movimento
que trepa e fende fundidas
já no tempo
calando o grito nos pulmões da tarde
E todo o corpo
é esse movimento
em torno
em volta
no centro desses lábios
que a febre toma
engrossa
e vai cedendo a pouco e pouco
nos dedos e na palma


Poema: Maria Teresa Horta em "As palavras do corpo"
Foto sem nome de Janusz em www.photo.net

segunda-feira, 30 de julho de 2012

A palavra despe-se



A palavra despe-se
O silêncio despe-se

Nus
Os sexos ardem

Os seios da palavra
Os músculos do silêncio

O silêncio
E a palavra

O poeta
E o poema




Daniel Faria in Poesia (Assirio & Alvim - Portugal 1971-1999)  
Foto: "Drops" de Thomas Doering em www.photo.net

domingo, 29 de julho de 2012

You can leave your hat on


Baby take off your coat
Real slow
And take off your shoes
I'll take off your shoes
Baby take off your dress
Yes yes yes

You can leave your hat on

You can leave your hat on
You can leave your hat on

Go on over there

Turn on the light
No all the lights
Come over here
Stand on this chair
That's right
Raise your arms up into the air
Now shake 'em
You give me a reason to live
You give me a reason to live
You give me a reason to live
You give me a reason to live
Sweet darling

You can leave your hat on

You can leave your hat on
Feeling
You can leave your hat on
You can leave your hat on
You can leave your hat on
You can leave your hat on

Suspicious minds a talkin'

Try'n' to tear us apart
They don't believe
In this love of mine
They don't know I love you
They don't know what love is
They don't know what love is
They don't know what love is
I know what love is
Sweet darling

You can leave your hat on

You can leave your hat on
Feeling
You can leave your hat on
You can leave your hat on


"You Can Leave Your Hat On" foi escrita por Randy Newman tendo aparecido no seu album Sail away de 1971. Tornou-se famosa interpretada por Joe Cocker na banda sonora de "9 1/2 weeks", filme de 1986 de Adrian Lyne, com Kim Basinger e Mickey Rourke.



Apareceu também no album de Joe Cocker "Cocker" de 1986.

sábado, 28 de julho de 2012

Antes de seres

Antes de seres
Só havia céu e vento
E a vida era lisa e passava.
Só o vento, feito brisa, me sussurrava
O teu nome.
E eu não o entendia.
Porque era tempo de céu e vento,
De vida lisa, dia a dia,
Sem sonhos de terra
E de pés para caminhar.
Quando a meus olhos
Sólido e concreto te tornaste,
Quando de ti soube o nome
E o tocar,
Não mais a vida foi lisa
Tempo breve.
E sonhei caminhos e terra
E corpo para chegar.



Autora: Encandescente (Poetisa e escritora criadora do blog Erotismo na Cidade, que nos faz uma falta imensa) 
Foto: "Silence inside" por Zachar Rise in www.photo.net

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Eu que não sei quase nada do mar


Garimpeira da beleza
Te achei na beira de você me achar
Me agarra na cintura, me segura e jura que não vai soltar
E vem me bebendo toda, me deixando tonta de tanto prazer
Navegando nos meios seios, mar partindo ao meio
Não vou esquecer

Eu que não sei quase nada do mar
Descobri que não sei nada de mim

Clara, noite rara, nos levando além
da arrebentação
Já não tenho medo de saber quem somos
na escuridão

Me agarrei nos seus cabelos
Sua boca quente pra não me afogar
Tua língua correnteza lambe minhas pernas
Como faz o mar
E vem me bebendo toda, me deixando tonta de tanto prazer
Navegando nos meus seios, mar partindo ao meio
Não vou esquecer

Eu que não sei quase nada do mar
Descobri que não sei nada de mim




Autores: Ana Carolina e Jorge Vercílo
Interpretado pela inegualável Maria Bethania

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Água de fogo sem labaredas

Agua de fogo sem labaredas

queimas as grades que há nas fronteiras

inundas pontes praias falésias

De húmido lume tu me incendeias



Autor : David Mourão-Ferreira em "O corpo iluminado"
Foto: "Nas dunas" por José Luís Mendes encontrada em www.1000imagens.com

quarta-feira, 25 de julho de 2012

É você

É você
Só você
Que na vida vai comigo agora
Nós dois na floresta e no salão
Nada mais
Deita no meu peito e me devora
Na vida só resta seguir
Um risco, um passo, um gesto rio afora
 

É você
Só você
Que invadiu o centro do espelho
Nós dois na biblioteca e no saguão
Ninguém mais
Deita no meu leito e se demora
Na vida só resta seguir
Um risco, um passo, um gesto rio afora
Na vida só resta seguir
Um ritmo, um pacto e o resto rio afora...



"É você" interpretado pelos tribalistas
Autores: Marisa Monte / Arnaldo Antunes / Carlinhos Brown

terça-feira, 24 de julho de 2012

Vestes-te de vento


Deixo que a chuva
Me beije os lábios

Imploro ao sol
Que imite
O toque dos teus dedos

Deixo que o mar
Me envolva
Num abraço teu

Fecho os olhos
E oiço a tua voz
A vaguear no espaço

Deito-me nas dunas
Sinto o teu corpo
A aquecer o meu

Vestes-te de vento
Entras em mim
E amas-me...






Autora do poema: Tália encontrado em www.luso-poemas.net


Foto: Nadira por Dominic C  publicada em www.photo.net

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Hoje quero ficar nua

Apeteces-me tanto

hoje quero ficar nua
nua enquanto puder
deitada e nua
passear nua pela casa
nua saboreando uma uva
bebendo um café

de braços nus
imaginando o teu abraço
como se estivesses comigo
nua a saborear cada palavra
cada momento cada gemido
nua
fazendo as memórias
rodar à volta do meu corpo
nua por que quero
nua porque posso
nua porque me queres
assim
na tua mente


Palavras por Dom Platonico
Foto de Luis Mendonça em www.1000imagens.com

domingo, 22 de julho de 2012

Um tango


Musica
Tango
Desejar
Um corpo que nos seduz
Como me apetece dançar
Como um cego que conduz


Palavras por Dom Platonico
Video: Al Pacino e Gabrielle Anwar em "Perfume de mulher", 1992
Tango: "Por una cabeza" de Carlos Gardel


sábado, 21 de julho de 2012

Por inteiro

Apeteces-me tanto

quero
sentir-te por inteiro
por dentro e por fora
olhos nos olhos
mãos nas mãos
bocas consumidas em beijos



Palavras por Dom Platonico
Foto: Rui Cruz em olhares.sapo.pt

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Poema sobre a recusa

Poema sobre a recusa
--------------------------------


Como é possível perder-te
sem nunca te ter achado
nem na polpa dos meus dedos
se ter formado o afago
sem termos sido a cidade
nem termos rasgado pedras
sem descobrirmos a cor
nem o interior da erva.

Como é possível perder-te
sem nunca te ter achado
minha raiva de ternura
meu ódio de conhecer-te
minha alegria profunda.

Autora: Maria Teresa Horta

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Ilumina-me



Gosto de ti como quem gosta do sábado,
Gosto de ti como quem abraça o fogo,
Gosto de ti como quem vence o espaço,
Como quem abre o regaço,
Como quem salta o vazio,
Um barco aporta no rio,
Um homem morre no esforço,
Sete colinas no dorso
E uma cidade p'ra mim.


Gosto de ti como quem mata o degredo,
Gosto de ti como quem finta o futuro,
Gosto de ti como quem diz não ter medo,
Como quem mente em segredo,
Como quem baila na estrada,
Vestido feito de nada,
As mãos fartas do corpo,
Um beijo louco no porto
E uma cidade p'ra ti.


Enquanto não há amanhã,
Ilumina-me, Ilumina-me.
Enquanto não há amanhã,
Ilumina-me, Ilumina-me.


Gosto de ti como uma estrela no dia,
Gosto de ti quando uma nuvem começa,
Gosto de ti quando o teu corpo pedia,
Quando nas mãos me ardia,
Como silêncio na guerra,
Beijos de luz e de terra,
E num passado imperfeito,
Um fogo farto no peito
E um mundo longe de nós.


Enquanto não há amanhã,
Ilumina-me, Ilumina-me.
Enquanto não há amanhã,
Ilumina-me, Ilumina-me.


Pedro Abrunhosa - Ao vivo no Coliseu

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Pelo vento


Loiro o cabelo
Loira é a pele
Clama pelo vento
Espera por ele

Palavras por Dom Platonico
Foto de autor desconhecido

terça-feira, 17 de julho de 2012

Apeteces-me


Seduzes-me,
Com O Olhar...

Acendes-me
A Paixão Nos Lábios...

Sentes-me,
O Corpo A Arder De Desejo...

Prendes-me,
Num Ritmo Louco De Prazer...
Apeteces-me,
O Cheiro A Pecado
E O Sabor A Fruto Proibido...

Sinto,
O teu Gemido...

Levito,
Num Único Suspiro....

Aprisionei...
E Sem Pressa... Te Amei
Autor: morethenwords

segunda-feira, 16 de julho de 2012

A idade de ser feliz

Existe somente uma idade para a gente ser feliz
somente uma época na vida de cada pessoa
em que é possível sonhar e fazer planos
ter energia bastante para realizá-los
a despeito de todas as dificuldades e obstáculos.





Uma só idade para a gente se encontrar com a vida
e viver apaixonadamente
desfrutar tudo com toda intensidade
sem medo nem culpa de sentir prazer.

Fases douradas em que a gente pode
criar e recriar a vida à nossa própria imagem e semelhança
vestir-se com todas as cores
experimentar todos os sabores
entregar-se a todos os amores sem preconceito nem pudor.

Tempo de entusiasmo e coragem
em que todo desafio é mais um convite à luta
que a gente enfrenta
com toda disposição de tentar
algo NOVO, de NOVO e de NOVO,
e quantas vezes for preciso.
Essa idade tão fugaz na vida da gente
chama-se PRESENTE
e tem a duração
do instante
que passa.





Autor: Mário Quintana

publicado em www.luso-poemas.net