sábado, 29 de junho de 2013
Deixa que os meus olhos se fechem
Deixa que os meus olhos se fechem
E confiem um minuto nos teus
Olha por mim, protege o meu sonho
Vigia o meu descanso e afasta-me de todas as mágoas
Com os teus beijos apaga as lágrimas que correm pelo
meu rosto
Envolve-me nos teus braços e, cuida de mim
Preciso do teu apoio, do teu abraço, do teu sentido
Deixa-me descansar e,
Adormecer no teu peito
Deixa que os meus olhos durmam
nos teus...
Deixa-me sonhar
Deixa que sonhe com a tua boca
Com as tuas mãos, com os teu beijos,
Com teu corpo na minha pele
Com o teu calor a queimar-me por dentro
Com tudo o que quero de ti
Deixa que os meus olhos despertem
com o sol a romper nos teus olhos.
Poema de Albano Martins
Fotografia de Fa Sol
quinta-feira, 27 de junho de 2013
Lassa
Tesão — força que move a vida.
Na plenitude, é felicidade pura.
Na carência, é dor que dói.
Ó gozo de ver, admirar, acariciando.
Ò gozo de abraçar, beijar, bolinando
Ó supremo gozo de meter, possuir, penetrando,
na divina convulsão rítmica do coito.
Ficar lá dentro abismado, apertado.
Sentindo o grelo tremer de gozo.
O sacro canal melar, enlanguescer.
Vendo você se aquietar, lassa.
Tudo, afinal, uma tremura arrepiada.
Poema de Darcy Ribeiro (1922-1997)
terça-feira, 25 de junho de 2013
A falta de um beijo
Sinto a falta
do teu beijo,
nas bocas que se
procuram,
na avidez do desejo.
Daquele beijo
amado,
que tanto diz sobre ti,
beijo rápido, demorado,
que sinto entrar
em mim.
Do beijo
reinventado
que tudo faz esquecer,
que me leva a
querer a vida,
pelo qual quero
morrer.
Do teu beijo
apetecido
no desvario dos
sentidos,
que me conduz pela mão
por caminhos
já conhecidos.
Do beijo doce,
salgado,
que percorre todo
o meu ser,
desfazendo-se no meu
que em ti quer renascer.
Sinto a falta do teu beijo em mim.
Poema de António Barroso Cruz
Fotografia de Walo Thoenen
domingo, 23 de junho de 2013
Fôsses tu um grande espaço
fôsses tu um grande espaço e eu tacteasse
com todo o meu corpo sôfrego e cego
Palavras de Herberto Helder
Fotografia de Yan McLine
Fotografia de Yan McLine
sexta-feira, 21 de junho de 2013
Contigo, comigo
Como contigo
Eu chego a mim!
Como me trazes
A esfera imensa
Do mundo meu
E toda a encerras
Dentro de mim!
Como contigo
Eu chego a mim!
Ah como pões
Dentro de mim
A flor, a estrela,
O vento, o sol,
A água, o sonho!...
Como contigo
Eu chego a mim!
Poema de Manuel Bandeira (1886-1968)
Fotografia de Zidon
quarta-feira, 19 de junho de 2013
Canção Erótica
Alegria é este pássaro que voa
da minha boca à tua. É esse beijo.
É ter-te nos meus braços toda nua.
Sentir-me vivo. E morto de desejo.
Alegria é este orgasmo. Esta loucura
de estar dentro de ti. E assim ficar.
Como se andasse perdido e à procura
de possuir-te.
E possuir-te devagar...
Joaquim Pessoa (Portugal 1948) em Obra Poética vol. II
Fotografia de Artem Yankovsky
segunda-feira, 17 de junho de 2013
Faltas-me como se me faltasses
Falta-me o cheiro do teu suor, o brado do teu gemido.
Falta-me a sombra do teu corpo, os olhos do teu sonho.
Faltas-me como se me faltasse a vida.
Faltas-me como se me faltasse.
Tão-somente isso: faltas-me como se me faltasses.
Palavras de Pedro Chagas Freitas
Fotografia de Aleksandra
sábado, 15 de junho de 2013
Um lugar na minha alma
Agora que não nos vemos
e as nossas vidas correm pelos dias
cada vez mais longínquas,
sinto, às vezes, uma vontade enorme
de te ver uma tarde, tomar café
contigo, saber como vais…
Agora que não nos vemos
e nos perdemos aos dois,
não penses que esqueci as tuas coisas.
Guardo boas lembranças, e poemas
que te escrevi (lembras-te?); guardo
cartas e fotografias…
E um lugar
na minha alma, onde, se quiseres,
sempre, sempre podes estar.
Palavras de Abel Feu
Fotografia de Alt Edward
Fotografia de Alt Edward
quinta-feira, 13 de junho de 2013
Música
Devagar...
outro beijo... ou ainda...
O teu olhar, misterioso e
lento,
veio desgrenhar
a cálida tempestade
que me desvaira o
pensamento!
Mais beijos!...
Deixa que eu, endoidecida,
incendeie a
tua boca
e domine a tua vida!
Sim, amor..
deixa que se alongue
mais
este momento breve!...
— que o meu desejo subindo
solte a rubra
asa
e nos leve!
Poema de Judith Teixeira
Fotografia de Arkhipov
terça-feira, 11 de junho de 2013
Des (conecta)
a tua e a minha pele
assim como nossas almas
fazem um tal encaixe
que às vezes eu me pergunto
porque o céu nos nega
a eternidade
desta engrenagem
quando não vens
quando me faltas
fico a vasculhar segredos
a entrelaçar meus medos
nos teus recados
Poema de Líria Porto
Fotografia de Posza Robert
sábado, 8 de junho de 2013
O Oleiro
Há em todo o teu corpo
uma taça ou doçura a mim destinada.
Quando levanto a mão
encontro em cada lugar uma pomba
que andava à minha procura, como
se te houvessem, meu amor, feito de argila
para as minhas mãos de oleiro.
Os teus joelhos, os teus seios,
a tua cintura,
faltam em mim como no côncavo
duma terra sedenta
a que retiraram
uma forma,
e, juntos,
estamos completos como um só rio,
como um só areal.
uma taça ou doçura a mim destinada.
Quando levanto a mão
encontro em cada lugar uma pomba
que andava à minha procura, como
se te houvessem, meu amor, feito de argila
para as minhas mãos de oleiro.
Os teus joelhos, os teus seios,
a tua cintura,
faltam em mim como no côncavo
duma terra sedenta
a que retiraram
uma forma,
e, juntos,
estamos completos como um só rio,
como um só areal.
Fotografia de Agris Klestrovs
quarta-feira, 5 de junho de 2013
No silêncio que guardo quando partes
No silêncio que guardo
quando partes
quando partes
que escondes sob os
dedos
dedos
que se prende
que me deixa no corpo
este calor
este calor
da falta do teu corpo como sempre
Poema de Maria Teresa Horta
Fotografia de Andrey Stanko
segunda-feira, 3 de junho de 2013
Inventa uma parede
Inventa uma parede
onde possas encostar-me o corpo
pressionado pelo teu.
Uma parede de textura suave.
uma parede única,
onde nos encontremos.
Inventa uma parede para
o amor.

Palavras de Sílvia Chueire
Fotografia de Manifesto
sábado, 1 de junho de 2013
Sono de Primavera
Adormeço sempre com o teu mamilo
entre os dedos da minha mão
E o meu sono é tranquilo
como o das rosas
entre os dedos da minha mão
E o meu sono é tranquilo
como o das rosas

Poema de Jorge Sousa Braga
Fotografia de Natalia Kasakova
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