domingo, 28 de julho de 2013
Sonhei
O corpo solto sem roupa
os saltos por mim escolhidos
bem altos, como eu gosto
A luz lambendo-te a pele
escorrendo pelos teus seios
tão firmes, como eu gosto
Teus ombros contra a parede
esperando pelo meu beijo
em teus labios, como eu gosto
A foto por mim tomada
em sonho e na retina
com a lente do apetite
bem ousada como eu gosto
Palavras de Dom Platonico
Fotografia de Alessandro Della Casa
quinta-feira, 25 de julho de 2013
Gosto do arrepio
"...Gosto do arrepio da tua língua na minha nuca,
gosto que me digas
quero mais quando creio já te ter dado tudo.
Gosto das palavras
obscenas que inventamos juntos, feitas de restos de barcos e impérios..."
Palavras de Inês Pedrosa em "A Eternidade e o Desejo"
Fotografia de Elena Kovaleva
terça-feira, 23 de julho de 2013
Pudesse eu não ter laços nem limites
Pudesse eu não ter laços nem limites
Ó vida de mil faces transbordantes
Pra poder responder aos teus convites
Suspensos na surpresa dos instantes.
Poema de Sophia de Mello Breyner
Fotografia de Alex Krivtsov
domingo, 21 de julho de 2013
O amor, Meu amor
Nosso amor é impuro
como impura é a luz e a água
e tudo quanto nasce
e vive além do tempo.
Minhas pernas são água,
as tuas são luz
e dão a volta ao universo
quando se enlaçam
até se tornarem deserto e escuro.
E eu sofro de te abraçar
depois de te abraçar para não sofrer.
E toco-te
para deixares de ter corpo
e o meu corpo nasce
quando se extingue no teu.
E respiro em ti
para me sufocar
e espreito em tua claridade
para me cegar,
meu Sol vertido em Lua,
minha noite alvorecida.
Tu me bebes
e eu me converto na tua sede.
Meus lábios mordem,
meus dentes beijam,
minha pele te veste
e ficas ainda mais despida.
Pudesse eu ser tu
E em tua saudade ser a minha própria espera.
Mas eu deito-me em teu leito
Quando apenas queria dormir em ti.
E sonho-te
Quando ansiava ser um sonho teu.
E levito, voo de semente,
para em mim mesmo te plantar
menos que flor: simples perfume,
lembrança de pétala sem chão onde tombar.
Teus olhos inundando os meus
e a minha vida, já sem leito,
vai galgando margens
até tudo ser mar.
Poema de Mia Couto
Fotografia de Vitaliy Lining
Fotografia de Vitaliy Lining
sexta-feira, 19 de julho de 2013
A sofreguidão de um instante
Tudo renegarei menos o afecto,
e trago um ceptro e uma coroa,
o primeiro de ferro, a segunda de urze,
para ser o rei efémero
desse amor único e breve
que se dilui em partidas
e se fragmenta em perguntas
iguais às das amantes
que a claridade atordoa e converte.
Deixa-me reinar em ti
o tempo apenas de um relâmpago
a incendiar a erva seca dos cumes.
E se tiver que montar guarda,
que seja em redor do teu sono,
num êxtase de lábios sobre a relva,
num delírio de beijos sobre o ventre,
num assombro de dedos sob a roupa.
Eu estava morto e não sabia, sabes,
que há um tempo dentro deste tempo
para renascermos com os corais
e sermos eternos na sofreguidão de um instante.
Poema de José Jorge Letria
Fotografia de Marco Garzon
quarta-feira, 17 de julho de 2013
Deixa que eu te ame em silêncio.
Deixa que eu te ame em silêncio.
Não pergunte, não se explique, deixe
que nossas línguas se toquem, e as bocas
e a pele
falem seus líquidos desejos.
Deixa que eu te ame sem palavras
a não ser aquelas que na lembrança ficarão
pulsando para sempre
como se amor e vida
fossem um discurso
de impronunciáveis emoções.
Poema de Affonso Romano de SantAnna
Fotografia de Zagorey
Fotografia de Zagorey
segunda-feira, 15 de julho de 2013
Trago no olhar visões extraordinárias
Trago no olhar visões extraordinárias,
de coisas que abracei de olhos fechados...
Palavras de Florbela Espanca
Fotografia de Agriss
sábado, 13 de julho de 2013
Trazias o sorriso no rosto
Trazias o sorriso no rosto
Um bailado no olhar
Era calor, quase Agosto
Quando te vi chegar
Entrei no teu abraço despida
E de desejo me vesti
Meus lábios te entreguei
E o teu sabor senti.
Poema de Dom Platonico
Fotografia de Arkhipov
quinta-feira, 11 de julho de 2013
DUETO
Um fechar de olhos, o toque do lençol no rosto
deslocam o corpo do eixo em que se segura
há uma coreografia nos movimentos, um dueto ou
a imagem inicial de duas cordas do mesmo violoncelo
em vibração concertada. Os músculos jogam em coreografia
as sensações unificam-se e os sentimentos resultam felizes.
terça-feira, 9 de julho de 2013
Boca
Sua boca me dá água na boca.
Uma vontade que não é pouca
da sua boca beijar.
Como água de bica que corre pro rio
desce montanha e nem que seja com um fio
vai ao encontro do mar.
Sinto nos seus lábios divinos, fartos
o gosto agridoce e o aconchego exato
para nos meus repousar.
O mesmo que o voo da pluma macia
bailando ao vento do céu de baunilha
partindo deste para outro lugar.
Por um minuto flutuo, fico suspenso,
trêmulo nas pernas, coração tenso.
Cresço em ti, levito no ar.
Falo seu idioma, domino sua língua,
esqueço da chaga, some
a íngua,
domo seu corpo. Venha ao meu domar.
Da sua saliva inundo a vida,
entrego a alma um dia vendida
e dou-lhe agora para presentear.
Pois seus lábios me levam ao paraíso
tornando impreciso o que preciso
para te ver no altar.
É tamanho o desejo que revela um bocejo
que não passa de sonho o que pensei ser um beijo
a água na boca que sua boca ainda vai me dar.
No brilho dos seus dentes reflete o cupido
que evidentemente flechou este bandido
e platonicamente o ensinou o que é amar.Poema de Bruno Godinho
Fotografia de Andrew Lucas
domingo, 7 de julho de 2013
Acordei um dia dentro dos teus olhos
Acordei um dia dentro dos teus olhos
de um sono leve e tranquilo, tumultuoso e denso.
Dizem que devo ter sonhado, mas nem ecos
de palavras, franjas de luz, neblina,
vaga escadaria, túnel infinito
me chegam aos recantos da memória.
Acordei a amar-te dentro dos teus olhos,
a hora indefinida,
em silêncio, deslumbrado.
Só depois veio o sonho
Poema de Mário Domingos em "O Despertar dos Verbos"
Fotografia de Boris Soloviev
sexta-feira, 5 de julho de 2013
as nossas maos
eram tão
simples
as nossas
mãos
ainda tão
simples
e prontas
quando
nos
procurávamos
como se
tudo
Poema de Gil T. Sousa em Água Forte (2005)
Fotografia de Alt Edward
Fotografia de Alt Edward
quarta-feira, 3 de julho de 2013
Eu quero apenas amar-te lentamente
Eu quero apenas amar-te lentamente
Como se todo o tempo fosse nosso
Como se todo o tempo fosse pouco
Como se nem sequer houvesse tempo.
Como se todo o tempo fosse pouco
Como se nem sequer houvesse tempo.
Poema de Joaquim Pessoa
Fotografia de OSV
Fotografia de OSV
segunda-feira, 1 de julho de 2013
Na varanda
Vem, vem ter comigo
Eu estou na varanda
Traz-me o teu sorriso
Não hesites, anda
Traz a pele macia
Pra que o sol bem veja
Que na minha fantasia
O meu olhar te beija
Vem, como eu gosto
Sem temor ou pudor
Deixa-me nos labios
O som do teu sabor
Vem, como eu gosto
Sem temor ou pudor
Deixa-me nos labios
O som do teu sabor
Palavras de Dom Platonico
Fotografia de Andrew Lucas
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