sexta-feira, 31 de maio de 2013

Bebo-te... como água que rebenta das fontes



aqui tens a minha sede. as águas dos rios
somente satisfazem a urgência maior
e nada diz de ti esse líquido que a sede sacia:
queria beber-te nas ondas do teu ciúme
e despedaçar-me no desejo dos teus lábios
queria alcançar a nuvem e colher a rebeldia
das gotas exaltantes dos teus beijos
queria a ribeira da tua pele como a água
que rebenta das fontes
e unidos na mesma sede alcançar o êxtase
na cintilação dos mesmos horizontes
queria o incêndio escrito na mesma sede
e morrer no martírio de doçuras de amante

aqui tens a minha sede: fogo e água da tua boca
ardendo no azul duma água murmurante.




Poema de Bernardete Costa
Fotografia de Denisoul

quarta-feira, 29 de maio de 2013

These Arms of Mine


These arms of mine, they are lonely,
Lonely and feeling blue.

These arms of mine, they are yearning,
Yearning from wanting you.

And if you would let them hold you,
Oh how grateful I will be.

These arms of mine, they are burning,
Burning from wanting you.

These arms of mine, they are wanting,
Wanting to hold you.

And if you would let them hold you,
Oh how grateful I will be.

Come on, come on please let them.
Just be my little woman.
Just be my lover.

I need me somebody, somebody to treat me right.
I need your arms, loving arms to hold me tight.

I need your, I need your tender lips, to hold me,
To hold me together when I'm around you.



Canção de Otis Redding
Interpretada por Otis Redding

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Entreguei a face ao vento


Sabia que me querias
E que o teu querer vinha no ar
Entreguei a face ao vento,
Sorri-lhe
E senti o beijo de olhos fechados



Palavras de Dom Platonico
Fotografia de Spiller


sexta-feira, 24 de maio de 2013

Na cama onde os sonhos de fazem


“Na cama em que os sonhos se fazem, o teu corpo misturado com o meu. Assim se ergue a vida, por detrás do cheiro do sexo molhado, por sobre a verdade dos lábios esfaimados. Agarrar-te na carne e sentir-me de alma, o por dentro de estar vivo a cada segundo de suor. Dou-te com a força de um animal, louco e insaciável animal - com o "toma", o "gostas?", o "pede". E ainda assim te dou com a ternura incomparável de um cúmplice - com o "preciso-te sem igual", o "gosto-te até aos ossos", o "amo-te sem amanhã". Na cama em que os sonhos se fazem, nem os corpos sabem a quem pertencem. Somos dois, com o prazer de todos os mundos. Somos um. E um é tudo."




Palavras de Pedro Chagas Freitas
Fotografia de Westkis

terça-feira, 21 de maio de 2013

Sem Fôlego Asfixia


Não se sabe como acontece, nem quando. 

Digo o desejo, que tudo arrasta, tudo envolve num aperto que asfixia. 

A vontade de anular todo o intervalo entre as coisas no ardor dos corpos, no misturar das línguas.





Palavras de Pedro Paixão
Fotografia de AC


sábado, 18 de maio de 2013

Abraça-me


Abraça-me. Quero ouvir o vento que vem da tua pele, e ver o sol nascer do intenso calor dos nossos corpos. 

Quando me perfumo assim, em ti, nada existe a não ser este relâmpago feliz, esta maçã azul que foi colhida na palidez de todos os caminhos, e que ambos mordemos para provar o sabor que tem a carne incandescente das estrelas.

Abraça-me. Veste o meu corpo de ti, para que em ti eu possa buscar o sentido dos sentidos, o sentido da vida. 

Procura-me com os teus antigos braços de criança, para desamarrar em mim a eternidade, essa soma formidável de todos os momentos livres que a um e a outro pertenceram. 

Abraça-me. Quero morrer de ti em mim, espantado de amor. Dá-me a beber, antes, a água dos teus beijos, para que possa levá-la comigo e oferecê-la aos astros pequeninos.
 

Só essa água fará reconhecer o mais profundo, o mais intenso amor do universo, e eu quero que delem fiquem a saber até as estrelas mais antigas e brilhantes.
 

Abraça-me. Uma vez só. Uma vez mais.
Uma vez que nem sei se tu existes. 


 

Poema de Joaquim Pessoa, em 'Ano Comum'

Fotografia de Ahha Ahxeh

 

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Aquela Canção


É tarde e a cidade parece dormir
E eu quero ficar acordado
Perguntas-me o porquê de me estar a rir
Tenho o segredo mais bem guardado

E no abraço apertado
Cantamos aquela canção
Entre a pressa e o desejo
Secreta paixão
Rodamos entre 4 paredes

Com a força de um beijo
Tiras-me o chão
Corpo seco, que mata a sede

E rimos como crianças
Talvez já nem haja amanhã

Como a força do mar num porto qualquer
És a calma de um rio nessa pele de mulher
Como chama que arde e se apaga a seguir
És passado, és presente
És futuro que há-de vir

Como o ar que me falta e se aperta no peito
És a palavra certa no poema perfeito
Como brisa que vem numa tarde de Verão
És a voz no silêncio…
És aquela canção…




Tema de Miguel Gameiro

domingo, 12 de maio de 2013

Deixas em mim tanto de ti

A noite não tem braços
Que te impeçam de partir,
Nas sombras do meu quarto
Há mil sonhos por cumprir.


Não sei quanto tempo fomos,
Nem sei se te trago em mim,
Sei do vento onde te invento, assim.
Não sei se é luz da manhã,
Nem sei o que resta em nós,
Sei das ruas que corremos sós,
Porque tu,

Deixas em mim
Tanto de ti,
Matam-me os dias,
As mãos vazias de ti.

A estrada ainda é longa,
Cem quilómetros de chão,
Quando a espera não tem fim,
Há distâncias sem perdão.

Não sei quanto tempo fomos,
Nem sei se te trago em mim,
Sei do vento onde te invento, assim.
Não sei se é luz da manhã,
Nem sei o que resta em nós,
Sei das ruas que corremos sós,
Porque tu,

Deixas em mim
Tanto de ti,
Matam-me os dias,
As mãos vazias de ti.

Navegas escondida,
Perdes nas mãos o meu corpo,
Beijas-me um sopro de vida,
Como um barco abraça o porto.

Porque tu,
Deixas em mim
Tanto de ti,
Matam-me os dias,
As mãos vazias de ti.





Tema de Pedro Abrunhosa editado no album momento de Pedro Abrunhosa
Video gravado ao vivo com Os Bandemónio

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Soneto da mulher ao sol

A bordo do Andrea C, a caminho da França


Uma mulher ao sol - eis todo o meu desejo
Vinda do sal do mar, nua, os braços em cruz
A flor dos lábios entreaberta para o beijo
A pele a fulgurar todo o pólen da luz.

Uma linda mulher com os seios em repouso
Nua e quente de sol - eis tudo o que eu preciso
O ventre terso, o pêlo úmido, e um sorriso
À flor dos lábios entreabertos para o gozo.

Uma mulher ao sol sobre quem me debruce
Em quem beba e a quem morda e com quem me lamente
E que ao se submeter se enfureça e soluce

E tente me expelir, e ao me sentir ausente
Me busque novamente - e se deixa a dormir
Quando, pacificado, eu tiver de partir... 





Poema de Vinicius de Moraes
Fotografia de Agriss

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Tela


Apetece-me estar nessa tela
Sentir os traços
A textura
A marca do pincel

Apetece-me estar nessa tela
Sentir que me contornas
Que me pintas
E que me fazes acontecer cor



Palavras de Dom Platonico
Fotografia de Alexsandr

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Sozinho



Às vezes no silêncio da noite
Eu fico imaginando nós dois
Eu fico ali sonhando acordado
Juntando o antes, o agora e o depois


Por que você me deixa tão solto?
Por que você não cola em mim?

Tô me sentindo muito sozinho

Não sou nem quero ser o seu dono
É que um carinho às vezes cai bem
Eu tenho os meus desejos e planos secretos
Só abro pra você mais ninguém


Por que você me esquece e some?
E se eu me interessar por alguém?
E se ela, de repente, me ganha?


Quando a gente gosta
É claro que a gente cuida
Fala que me ama
Só que é da boca pra fora

Ou você me engana
Ou não está madura
Onde está você agora?





Tema de Peninha (1997)
Interpretação de Caetano Veloso