quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Apeteces-me tanto


No sabor do calor íntimo da noite
Tocada pelo ar que te dança em redor
Escorrendo na pele a luz da lua
Que se desenha em cada curva nua

Os braços audazes soltos abertos
Provocam sedes fomes paixões
A roupa já caída descomposta
O flanco, o ombro, a coxa nua, exposta

A pele espraiada livre em lençóis
Desperta desejo louco que me invade
Vem,
  Traz o teu corpo em que me encanto
Apeteces-me
Apeteces-me tanto!




Palavras de Dom Platonico
Fotografia de autor desconhecido



quarta-feira, 29 de agosto de 2012

As nossas madrugadas


Desperta-me de noite
o teu desejo
na vaga dos teus dedos
com que vergas
o sono em que me deito

pois suspeitas

que com ele me visto e me
defendo

É raiva
então ciume
a tua boca

é dor e não
queixume
a tua espada

é rede a tua língua
em sua teia

é vício as palavras
com que falas

E tomas-me de força
não o sendo
e deixo que o meu ventre
se trespasse

E queres-me de amor
e dás-me o tempo

a trégua
a entrega
e o disfarce

E lembras os meus ombros
docemente
na dobra do lenços que desfazes
na pressa de teres o que só sentes
e possuires de mim o que não sabes

Despertas-me de noite
com o teu corpo

tiras-me do sono
onde resvalo

e eu pouco a pouco
vou repelindo a noite

e tu dentro de mim
vais descobrindo vales.


Poema de Maria Teresa Horta
Fotografia de autor desconhecido

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Primeiro a tua mão sobre o meu seio

 
Primeiro a tua mão sobre o meu seio.
Depois o pé - o meu - sobre o teu pé.
Logo o roçar urgente do joelho
e o ventre mais à frente na maré.

É a onda do ombro que se instala.
É a linha do dorso que se inscreve.
A mão agora impõe, já não embala
mas o beijo é carícia, de tão leve.
 
O corpo roda: quer mais pele, mais quente.
A boca exige: quer mais sal, mais morno.
Já não há gesto que se não invente,
ímpeto que não ache um abandono.
 
Então já a maré subiu de vez.
É todo o mar que inunda a nossa cama.
Afogados de amor e de nudez
Somos a maré alta de quem ama
 
Por fim o sono calmo, que não é
Senão ternura, intimidade, enleio:
O meu pé descansando no teu pé,
A tua mão dormindo no meu seio.



Poema de Rosa Lobato Faria  (1932 - 2010) em  "Cem Poemas Portugueses no Feminino"
selecção, organização e introdução de José Fanha e José Jorge Letria
Fotografia de autor desconhecido
 

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Sonho

 
Não sei se as tuas mãos me tocaram
Tão leves as tuas mãos que nenhuma marca ficou
Tão leves que certamente só me sonharam
Ou as sonhei porque as queria na minha pele
Árida de carícias
Ávida das tuas mãos.
Não sei se foste tu que escreveste com saliva poemas no meu corpo
Poemas rios que me molharam e segredaram
Palavras por ti nunca antes ditas
Não sei se senti rios e pensei poemas
Deserta que estava de palavras e saliva.
Não sei se no meu corpo o teu mora
Tão ténue teu corpo
Tão breve sonhar
 
 
 
Poema de Encandescente
Fotografia de Pavel Kiselev vista em photo.net
 
 

domingo, 26 de agosto de 2012

Boda Espiritual


Tu não estas comigo em momentos escassos:
No pensamento meu, amor, tu vives nua
- Toda nua, pudica e bela, nos meus braços.

O teu ombro no meu, ávido, se insinua.
Pende a tua cabeça. Eu amacio-a... Afago-a...
Ah, como a minha mão treme... Como ela é tua...

Põe no teu rosto o gozo uma expressão de mágoa.
O teu corpo crispado alucina. De escorço
O vejo estremecer como uma sombra n'água.

Gemes quase a chorar. Suplicas com esforço.
E para amortecer teu ardente desejo
Estendo longamente a mão pelo teu dorso...

Tua boca sem voz implora em um arquejo.
Eu te estreito cada vez mais, e espio absorto
A maravilha astral dessa nudez sem pejo...

E te amo como se ama um passarinho morto.




Poema de Manuel Bandeira (1986-1968 - Pernambuco)
Fotografia de Francis Schroeder vista em photo net

sábado, 25 de agosto de 2012

The Only Exception

When I was younger I saw my daddy
Cry and curse at the wind.
He broke his own heart and
I watched as he tried to re-assemble it.
And my mamma swore she would
Never let herself forget.
And that was the day that I promised
I'd never sing of love if does not exist.
But darling..

You are the only exception
You are the only exception
You are the only exception
You are the only exception

Maybe I know somewhere deep in
My soul that love never lasts.
And we've got to find other ways
To make it alone or keep a straight face.
And I've always lived like this
Keeping a comfortable, distance.
And up until now I swored to myself
That I'm content with loneliness,
'Cause none of it was ever worth the risk.

But you are the only exception (repeat)

I've got a tight grip on reality,
But I can't let go of whats part of me here.
I know you're leaving tomorrow, when you wake up,
Leave me of some kind of proof it's not a dream.

Whooa..

You are the only exception (repeat)

And I'm on my way to believing
And I'm on my way to believing

Canção composta por Hayley Williams e Josh Farro da banda "Paramore"
Publicada no album "Brand New Eyes" dos "Paramore"

Video:


E ao vivo:


sexta-feira, 24 de agosto de 2012

O corpo não espera

O corpo não espera. Não. Por nós
ou pelo amor. Este pousar de mãos,
tão reticente e que interroga a sós
a tépida secura acetinada,
a que palpita por adivinhada
em solitários movimentos vãos;
este pousar em que não estamos nós,
mas uma sêde, uma memória, tudo
o que sabemos de tocar desnudo
o corpo que não espera; este pousar
que não conhece, nada vê, nem nada
ousa temer no seu temor agudo...

Tem tanta pressa o corpo! E já passou,
quando um de nós ou quando o amor chegou.




Poema de Jorge Sena
Fotografia de autor desconhecido

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Sexual Healing

get up, get up, get up, get up
wake up, wake up, wake up, wake up

Ooh baby, now let's get down tonight


Baby I'm hot just like an oven
I need some lovin'
And baby, I can't hold it much longer
It's getting stronger and stronger

And when I get that feeling
I want Sexual Healing
Sexual Healing, oh baby
Makes me feel so fine
Helps to relieve my mind
Sexual Healing baby, is good for me
Sexual Healing is something that's good for me

Whenever blue tear drops are falling
And my emotional stability is leaving me
There is something I can do
I can get on the telephone and call you up baby, and
Honey I know you'll be there to heal me
The love you give to me will free me
If you don't know the thing you're dealing
Oh I can tell you, darling, that it's Sexual Healing

Get up, Get up, Get up, Get up - let's make love tonight
Wake up, Wake up, Wake up, Wake up - 'cos you do it right

Baby I got sick this morning
A sea was storming inside of me
Baby I think I'm capsizing
The waves are rising and rising

And when I get that feeling
I want Sexual Healing
Sexual Healing is good for me
Makes me feel so fine, it's such a rush
Helps to relieve the mind, and it's good for us
Sexual Healing, baby, it's good for me
Sexual Healing is something that's good for me
And it's good for me and it's so good to me
My baby ohhh

Come take control, just grab a hold
Of my body and mind soon we'll be making it
Honey, oh we're feeling fine
You're my medicine open up and let me in
Darling, you're so great
I can't wait for you to operate

(Heal me my darling)
I can't wait for you to operate

When I get this feeling,
I need sexual healing
oh when I get this feeling,
I need Sexual Healing,
I gotta have sexual healing, Darling
'cos I'm all alone
sexual healing, darling,
'till you come back home

"Sexual Healing" de Odell Brown, Marvin Gaye, David Ritz (1982)
Album "Midnight Love" (1982 - Columbia)

Aqui fica o teledisco original:




A sua interpretação nos Grammy's Awards de 1983:


E um doce: o teledisco da versão da Sarah Connor no seu album "Soulicious" de 2007, em que recupera o ambiente do filme "Nine and a Half weeks":

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Corpo de Mulher...



Corpo de mulher, brancas colinas, brancas coxas,
te fazem parecer o mundo na tua atitude de entrega.
O meu corpo de camponês selvagem te escava
e faz saltar o filho do fundo dessa terra.

Fui só como um túnel. De mim foram-se os pássaros
e em mim a noite entrava com a sua invasão poderosa.
Para sobreviver, forjei-te como uma arma,
como uma flecha no meu arco, como uma pedra na minha funda.

Porém, chega a hora da vingança, e amo-te.
Corpo de pele e de musgo, de leite ávido e firme.
Ah os vasos do peito! Ah os olhos da ausência!
Ah as rosas do púbis! Ah a tua voz lenta e triste!

Corpo da minha mulher, continuarás na tua graça.
Minha sede, minha ânsia sem limites, meu caminho indeciso!
Escuros sulcos onde a sede eterna segue,
e segue a fadiga, e esta dor infinita.


Pablo Neruda, in "Vinte Poemas de Amor e uma Canção Desesperada" 1924
Foto de Hataiiia Hataiia em Photo.net

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Existem olhares não falados


Existem Olhares Não Falados,

Que Nos Levam Aos Altares...

Nos Deixam No Paraíso,

Uns Beijos Sentidos...


Lábios Que Sopram Na Pele,

Um Desarmar,

Nada Dizem,

E No Entanto Fazem Vertigem,
 

De Um Jeito Tão Profundo,

Um Elevar Carnal,

Para Outro Mundo...

 
Poema de morethanwords lido em luso-poemas
Fotografia de autor desconhecido

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Dispo-te lentamente



Dispo-te lentamente, beijo a beijo
Este botão, esse colchete, aquela fita,
uma pequena fivela, uma ilhó diminuta,
a suavíssima seda que resvala, as rendas
em cuja nuvem crespa até dormito
moroso, prolongando o termo
do beijo, buscando as mais suaves
regiões, as profundas fontes. E de súbito
detenho-me,
e olho-te nua, plena, bela, minha,
forma total que o amor criou no sonho,
estátua levantada por minhas mãos, meus beijos.




Poema por Isaac Felipe Azofeija (Costa Rica – 1909-1997)
Fotografia de autor desconhecido vista em ruero.com

domingo, 19 de agosto de 2012

Procuro nos teus olhos o sabor do vento




Procuro nos teus olhos
O sabor do vento
O canto das aves
O encanto da vida
O sublime prazer.

Procuro-te os seios
Os lábios
As curvas colossais
Que gemendo em doces ais
Me transportam ao infinito
Ao amor
Ao sonho
À realidade
Nesse corpo vibrante de ansiedade
Quando te possuo.

Amar-te
É sorver a vida
É sentir-te deliciosamente
Só minha.



Poema de Cunha Simões lido em www.cunhasimoes.net 
Foto "Spot on" de Andreas Marx vista em photo.net

sábado, 18 de agosto de 2012

Tango



Olho o pinhal pela copa da rama
e ao fundo o mar...
Quer um, quer outro
me parecem inquietos.
E sopra-me uma vontade enorme
de rumar ao sul
de dançar um tango
e sentir o teu cheiro
a saciar-me esta noite.
E ouço a melodia
e fervem-me as veias.
Transpiro e arrepio
e morro mil vezes de desejo.
E tenho o chão
ladrilhado de pétalas que te quero
e não te tenho aqui!



Poema de João Luís Dias lido em jluisdias.blogs.sapo.pt
Fotografia de autor desconhecido

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Momento


Chegado o momento
em que tudo é tudo
dos teus pés ao ventre
das ancas à nuca
ouve-se a torrente
de um rio confuso
Levanta-se o vento
Comparece a lua
Entre línguas e dentes
este sol nocturno
Nos teus quatro membros
de curvos arbustos
lavra um só incêndio
que se torna muitos
Cadente silêncio
sob o que murmuras
Por fora por dentro
do bosque do púbis
crepitam-me os dedos
tocando alaúde
nas cordas dos nervos
a que te reduzes
Assim o momento
em que tudo é tudo
Mais concretamente
água fogo música




Poema de David Mourão-Ferreira (1927-1996)
Foto de autor desconhecido

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Sei-te de cor

Sei de cor
Cada traço do teu rosto, do teu olhar
Cada sombra da tua voz e cada silêncio,
Cada gesto que tu faças,
Meu amor sei-te de cor

Sei cada capricho teu e o que não dizes
Ou preferes calar, deixa-me adivinhar
Não digas que o louco sou eu
Se for tanto melhor

Amor sei-te de cor
Sei porque becos te escondes,
Sei ao pormenor o teu melhor e o pior
Sei de ti mais do que queria
Numa palavra diria
Sei-te de cor.

Sei cada capricho teu e o que não dizes
Ou preferes calar, deixa-me adivinhar
Não digas que o louco sou eu
Se for tanto melhor
Amor sei-te de cor

Sei de cor cada traço do teu rosto, do teu olhar
Cada sombra da tua voz e cada silêncio,
Cada gesto que tu faças
Meu amor sei-te de cor

Do Album "Paulo Gonzo" de Paulo Gonzo (2006)

Video:


E ao vivo:



quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Respiro o teu corpo



Respiro o teu corpo:
sabe a lua-de-água
ao amanhecer,
sabe a cal molhada,
sabe a luz mordida,
sabe a brisa nua,
ao sangue dos rios,
sabe a rosa louca,
ao cair da noite
sabe a pedra amarga,
sabe à minha boca.



Poema de Eugénio de Andrade (1923 - 2005)
Foto "Closed eyes" de Adolfo Valente em www.photo.net

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Só quero o que é meu!


Quero-te
Egoisticamente
Total e absolutamente
Quero-te
Sem meiguices
Nem mariquices
Quero-te inteiro
E pedaço a  pedaço
Quero-te
De qualquer maneira
Sem maneiras
Quero-te
Aqui e agora
Na urgência do instante
Sem pudores
Com desplante
Quero-te
E querendo-te
Só quero o que é meu!


Poema: Encandescente em "Encandescente" (Ed. Polvo - 2005)
Foto de Jeff Dunas em "Jeff Dunas" - Taschen - 1988

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Por Estas Noites

Por estas noites frias e brumosas
É que melhor se pode amar, querida!
Nem uma estrela pálida, perdida
Entre a névoa, abre as pálpebras medrosas

Mas um perfume cálido de rosas
Corre a face da terra adormecida ...
E a névoa cresce, e, em grupos repartida,
Enche os ares de sombras vaporosas: 

Sombras errantes, corpos nus, ardentes
Carnes lascivas ... um rumor vibrante
De atritos longos e de beijos quentes ...

E os céus se estendem, palpitando, cheios
Da tépida brancura fulgurante
De um turbilhão de braços e de seios. 



 

Poema de Olavo Bilac, in "Poesias" -  (1865-1918 Brasil)
Fundador da Academia Brasileira de Letras e autor do Hino à Bandeira Nacional

Foto : "Sensual serenidade" de Susana Ferreira  encontrada em 1000 imagens

domingo, 12 de agosto de 2012

Turn me on

Like a flower
Waiting to bloom
Like a light bulb
In a dark room
I'm just sittin' here
Waiting for you
To come on home
And turn me on

Like the desert

Waiting for the rain
Like a school kid
Waiting for the spring
I'm just sittin' here
Waiting for you
To come on home
And turn me on

My poor heart

It's been so dark
Since you've been gone
After all you're the one who turns me off
But you're the only one who can turn me back on

My hi-fi is waiting for a new tune

My glass is waiting for some fresh ice-cubes
I'm just sittin' here
Waiting for you
To come on home
And turn me on
Turn me on


Video com a letra:


Vidio ao vivo com Jamie Cullum

Canção interpretada por Norah Jones no album "Come away with me"
Autor: John D Loudermilk
Outros intérpretes: Mark Dinning, Nellie Rutherford e Nina Simone 
Faz parte da banda sonora do filme "Love actually"

sábado, 11 de agosto de 2012

Todo o tempo


Todo o tempo
Que o tempo agora me liberta
É tempo só para ti
Porque te quero nele
Tanto!


Poema de João Luís Dias em "Um poema, uma flor" (2008 - Calidum) 
Fotografia de James Baeza em photo.net

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

CANTAR DE AMIGO




À beira do rio fui dançar... Dançando
Me estava entretendo,
Muito a sós comigo,
Quando na outra margem, como se escondendo
Para que eu não visse que me estava olhando,
Por entre os salgueiros vi o meu amigo.

Vi o meu amigo cujos olhos tristes
Certo se alegravam
De me ver dançar.
Fui largando as roupas que me embaraçavam,
Fui soltando as tranças... Olhos que me vistes,
Doces olhos tristes, não no ireis contar!
Que o amor é lume bem eu o sei... que logo
Que vi meu amigo
Por entre os salgueiros,
Melhor eu dançava, já não só comigo
Toda num quebranto, ao mesmo tempo em fogo,
Melhor eu movia mãos e pés ligeiros.

Que Deus me perdoe, que aos seus olhos tristes
Assim ofertava
Minha formosura!
Se não fora o rio que nos separava,
Cruel com nós ambos, olhos que me vistes,
Nem eu me amostrara tão de mim segura...

 

Poema de José Régio (1901-1969) em “Música Ligeira”
Fotografia de Norm Murray em www.photo.net

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Beijo os teus seios e a tarde comove-se




Beijo os teus seios e a tarde comove-se
como se tocassem sinos
Levanto a tua cabeça entre os meu dedos e abro contra o dia os teus cabelos
e, logo, as aves do silêncio levantam voo e dançam loucas em volta dos teus olhos,
e a tua boca aperta-se,
morde
a minha boca
enquanto as minhas mãos vão procurando nenhum deus à flor da tua pele
por esse caminho branco onde agonizam éguas
vestidas de primavera.



Joaquim Pessoa em "Os olhos de Isa"
Foto de autor desconhecido

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Pela manha

Apeteces-me tanto

assim
pela manha
de cabelos soltos
em cama desfeita
a pele ainda quente da noite


Palavras por Dom Platonico
Foto: "Beauty" por Sunny Bak

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Anda comigo ver os aviões


Anda comigo ver os aviões
Levantar voo,
A rasgar as nuvens,
Rasgar o céu.

Anda comigo ao porto de Leixões
Ver os navios
A levantar ferro,
Rasgar o mar.

Um dia eu ganho a lotaria,
Ou faço uma magia,
Mas que eu morra aqui.
Mulher tu sabes o quanto eu te amo,
O quanto eu gosto de ti.
E que eu morra aqui
Se um dia que não te levo à América
Nem que eu leve a América até ti.

Anda comigo ver os automóveis,
A avenida,
A rasgar as curvas,
Queimar pneus.

Um dia vamos ver os foguetões levantar voo,
A rasgar as nuvens,
Rasgar o céu.

Um dia eu ganho o totobola,
Ou pego na pistola,
Mas que eu morra aqui.
Mulher tu sabes o quanto eu te amo,
O quanto eu gosto de ti.
E que eu morra aqui
Se um dia eu não te levo à lua
Nem que eu roube a lua só p'ra ti.

Um dia eu ganho o totobola,
Ou pego na pistola,
Mas que eu morra aqui.
Mulher tu sabes o quanto eu te amo,
O quanto eu gosto de ti.
E que eu morra aqui
Se um dia que não te levo à América
Nem que eu leve a América até ti.



Anda comigo ver os aviões pelos Azeitonas

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

O teu olhar


O teu olhar
esse olhar
que desfaz o sono meu
tem o silêncio das palavras
tem a música que dançavas

o teu olhar
prende o meu é todo teu
nele se lê o que se cala
nele a luz sôfrega fala

o teu olhar
esse olhar que quero meu
onde o teu fogo se solta
onde o meu se revolta

é aí
no teu olhar
nesse olhar que é meu e teu
que a vida se faz intensa
que a vida se faz imensa
no teu olhar
no teu



Palavras por Dom Platonico
Foto de Adolfo Valente

domingo, 5 de agosto de 2012

Se tu viesses ver-me hoje à tardinha


Se tu viesses ver-me hoje à tardinha,
A essa hora dos mágicos cansaços,
Quando a noite de manso se avizinha,
E me prendesses toda nos teus braços…

Quando me lembra: esse sabor que tinha
A tua boca… o eco dos teus passos…
O teu riso de fonte… os teus abraços…
Os teus beijos… a tua mão na minha…

Se tu viesses quando, linda e louca,
Traça as linhas dulcíssimas dum beijo
E é de seda vermelha e canta e ri

E é como um cravo ao sol a minha boca…
Quando os olhos se me cerram de desejo…
E os meus braços se estendem para ti…


Poema de Florbela Espanca em "Charneca em Flor" - 1931 - Livraria Gonçalves
Foto de Adolfo Valente
Para ouvir, na voz de Miguel Falabella:

sábado, 4 de agosto de 2012

Nights in white satin

Moody Blues

Live at Montreux 1991




Nights in white satin, never reaching the end,
Letters I've written, never meaning to send.
Beauty I'd always missed with these eyes before.
Just what the truth is, I can't say anymore.

'Cos I love you, yes I love you, oh how I love you.

Gazing at people, some hand in hand,
Just what I'm going through they can't understand.
Some try to tell me, thoughts they cannot defend,
Just what you want to be, you will be in the end.

And I love you, yes I love you,
Oh how I love you, oh how I love you.

Nights in white satin, never reaching the end,
Letters I've written, never meaning to send.
Beauty I've always missed, with these eyes before.
Just what the truth is, I can't say anymore.

'Cos I love you, yes I love you,
Oh how I love you, oh how I love you.
'Cos I love you, yes I love you,
Oh how I love you, oh how I love you.

Compositor: Justin Hayward
No album "Days of future passed" dos Moody Blues  - 1967

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Há lábios no corpo das palavras


Há lábios no corpo das palavras.
Por eles o encontro possível,
Promissor, entre cálido e húmido,
Fogoso das palavras trocadas
Pelos lábios da fantasia.
Evolam sussurros, ténues, suaves,
Pelo colo silabar dos cálidos lábios
A que me consagro, corpo ardente.
Bocas cruzadas, leve seda,
Sonho ou criação.
Palavras trocadas, toques de ternura,
Meigos beijos, onde ululam seios,
Ardentes e intensos ventres das palavras
Que perturbam, atordoam, enlouquecem
Pela aproximação que avassala.
Na conquista do corpo das palavras,
Procuro-o na noite dos sentidos,
Construo-o com sílabas da tua imagem,
Com o sorriso das tuas palavras,
Com os sons da minha imaginação



Poema escrito por Divine em http://perfumados.blogs.sapo.pt/

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

E de novo a armadilha dos abraços



E de novo a armadilha dos abraços.
E de novo o enredo das delícias.
O rouco da garganta, os pés descalços
a pele alucinada de carícias.

As preces, os segredos, as risadas
no altar esplendoroso das ofertas.
De novo beijo a beijo as madrugadas
de novo seio a seio as descobertas.

Alcandorada no teu corpo imenso
teço um colar de gritos e silêncios
a ecoar no som dos precipícios.

E tudo o que me dás eu te devolvo.
E fazemos de novo, sempre novo
o amor total dos deuses e dos bichos.




Poema: Rosa Lobato Faria (Actriz, escritora, autora e poetisa portuguesa, 1932-2010 ) em "Poemas escolhidos e dispersos" (1997 - Roma Editora)
Foto: autor desconhecido

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Mania de você

Mania De Você

Meu bem você me dá
Água na boca
Hum! Rum!
Vestindo fantasias
Tirando a roupa
Molhada de suor
De tanto a gente se beijar
De tanto imaginar
Imaginar!
Loucuras...
A gente faz o amor
Por telepatia
No chão, no mar, na lua
Na melodia
Mania de você
De tanto a gente se beijar
De tanto imaginar
Imaginar!
Loucuras...
Nada melhor
Do que não fazer nada
Só prá deitar
E rolar com você...(2x)
Meu bem você me dá
Água na boca
Água na boca!
Vestindo fantasia
Tirando a roupa
Molhada de suor
De tanto a gente se beijar
De tanto imaginar
Imaginar!
Loucuras...
A gente faz amor
Por telepatia
Telepatia!
No chão, no mar, na lua
Na melodia...
Mania de você
De tanto a gente se beijar
De tanto imaginar
Imaginar!
Loucuras...
Nada melhor
Do que não fazer nada
Só prá deitar
E rolar com você...(2x)
Meu bem você me dá
Água na boca!




Canção composta por Roberto de Carvalho e Rita Lee
Video interpretado por Rita Lee