terça-feira, 13 de novembro de 2012

Som de mulher

 
Os olhos são o espelho da alma.
 E se isso, verdade é,
 deixe-os serem a janela,
e veja por um instante
 minha alma de mulher.
 
Vê a borboleta
que em doces volteios
 acaricia suave, seus cabelos?
 
 
São meus dedos.
 
Feche os olhos e sinta.
 Ao som suave da brisa,
 minhas carícias que
 vão lhe envolvendo.
 
 
Sinta o toque na pele,
 que traçando seu rosto
 vai descendo mansinho
 em direção ao seu peito.
 
 
São meus beijos.
 
Sente o roçar pela cintura,
 como asas de libélula voejando?
 É minha língua.
 Vou adentrando.
 
Das vestes, já liberto,
 sinta o tempo de agosto
 que vai molhando seu corpo.
 
Estou provando seu gosto.
 
Segure de leve, pressionando,
 minhas ancas
transformadas em rédeas,
 enquanto vou cavalgando.
 
Fica assim...
 Parado a sentir
o veludo úmido lhe envolvendo.
 
Você está dentro de mim.
 
Rápido...
 Vem comigo!
 Vamos chegar ao fim...
 
Agora abra lentamente seus olhos.
 Sinta a vida transformada
 em seiva que de seu corpo flui.
 
Não me procure.
 Como a tarde dessa primavera
 
Eu já fui...

 
 

Poema de Asta Vonzodas
Fotografia de Alexey Terentyev

 

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